Se mesmo estudando dialética eles me enganam, imagina se eu não estudo?

Se mesmo estudando dialética eles me enganam, imagina se eu não estudo?

Durante muito tempo, a lógica positivista apareceu como doutrina unívoca e inquestionável. O ideal positivista produziu um sistema lógico de conhecimento apenas pela dedução ou indução. Na dialética, entretanto, esse sistema é revisitado: a sistematização do conhecimento provém da formação sintética por meio do avanço conceitual no momento de apreensão do objeto estudado. Existe a construção de uma razão justaposta, constituída sobre vertentes dualistas de tese e antítese. Os dois contrários, estabelecidos pela tese e antítese, todavia, se concentram na formação sintética, transportando tais conceitos primários de dualidade em uma unidade dialética. Reside aqui uma tentativa de se buscar a essência do fenômeno, própria do conhecimento científico, na relação entre conhecimento mediato e imediato. Se o conhecimento imediato está presente e é perfeitamente observável, o conhecimento mediato, ao contrário, precisa ser questionado e investigado. Temos, portanto, uma lógica própria ao cientista dialético que se sustenta pela definição de leis e categorias inerentes ao método.

Essa lógica dialética substitui o dirigismo extremo da lógica formal, no entanto, sem rescindi-la em absoluto, uma vez que ainda temos categorias e leis que fornecem a sustentação metodológica. O objetivo central da lógica dialética é ultrapassar os limites do conhecimento existente, ampliando as capacidades humanas de pensamento e análise de um determinado ser. Assim, na linguagem filosófica, essa lógica está pautada tanto pela doutrina do conhecimento, conhecida como gnosiologia, e do mesmo modo pela doutrina do ser, a ontologia.

O reconhecimento da dialética como lógica promove, em decorrência, a evolução e a transformação do conhecimento científico a partir de uma conexão ou elo entre as leis do pensamento e as leis do ser. Em toda a análise dialética, existe uma coexistência entre essas leis ensejando a formação dos seus princípios básicos e são esses princípios que produzem e fazem evoluir o conhecimento. Se existe, na dialética, uma confluência entre essas leis, percebemos que não se exerce, portanto, uma análise unilateral ou isolada. Ao contrário de focalizar apenas o conhecimento ontológico, a dialética estabelece uma relação desse conhecimento com o mundo a sua volta ao utilizar, da mesma forma, as leis do pensamento.

Essa relação entre as leis do ser e do pensamento, na junção entre a gnosiologia e a ontologia é que nos faz entender a dialética como teoria do conhecimento. Todo esse processo requer a análise do ser com o objetivo de proporcionar o avanço do conhecimento cientifico em busca da verdade sempre levando em consideração o pensamento e a consciência humana e social. Um novo conhecimento será assim formado, suportado pela pesquisa cientifica e dessa forma, verificado na prática, ensejando assim o descobrimento de leis para novas teorias. 

Devemos estudar, também, a dialética como um sistema lógico que seja capaz de dar suporte metodológico. A investigação científica necessita de um meio, um conjunto formal de procedimentos que sustentem essa investigação. Na tentativa de compreender e interpretar seu objeto de estudo, o pesquisador utiliza-se do método como um sistema racional que vai ajudá-lo nesse processo. 

A partir de hoje, vou usar a metodologia dialética para estudar os homens e seu universo! 

Eu sou a dialética!

março 31, 2009

A influência da dialética nos estudos e nos movimentos sociais encontra-se presente há vários séculos. Nos escritos bíblicos que envolvem o antigo testamento, datados da era pré-cristã, a doutrina dialética foi imortalizada pela Estrela de Davi, uma das mais expressivas simbologias da religião judaica. Esse desenho é constituído de duas estrelas que se sobrepõem em formatos diametralmente opostos caracterizando, assim, tese e antítese.

Seguindo ainda os movimentos de natureza religiosa, a era cristã também apresenta doutrinas que sinalizam a filosofia dialética. A existência de um Deus Uno e Trino que sustenta a trilogia: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo são conceitos que nos remetem inegavelmente aos fenômenos dialéticos.

Na música, a dialética faz-se percebida quando analisamos a composição sonora de uma orquestra. A diversidade de instrumentos que produzem cada um, sonetos diferentes, perfazem a musicalização final apresentada ao grande público.

Assim, é necessário entender que muito embora negada durante anos em nossa história, o movimento dialético é imanente a diversos movimentos sociais característicos de nossa existência. Vários foram os filósofos que escreveram obras, essencialmente, dialéticas. Entretanto, uma vez que trata-se de um movimento de natureza transitória, cada autor tem em suas publicações características próprias e vertentes diferentes para discutir essa filosofia. Quando os estudiosos referem-se ao conjunto da obra dialética, dois autores são comumente lembrados: Georg Wilhelm Friedrich Hegel e Karl Marx.

Um dos maiores representantes do idealismo alemão, Hegel, em suas obras, considera uma vertente teológica e espiritual da dialética. O autor admite a coexistência de “eus” que lutam contra si na busca por um ideal único, sempre considerando que: na análise de uma verdade, deve-se considerar o todo. Por outro lado, em Marx, assistimos uma vertente mais realista em que dimensiona-se uma aproximação entre a história e a política e os movimentos que as circundam. Essa relação mútua de contradição, em contextos que envolvem a burguesia e o proletariado, revela o lado político da dialética marxista ao propor o homem como “salvador da humanidade”. Tal vertente utópica, presente no marxismo, originou um sistema adotado por vários países que pertenciam ao regime comunista.

Um outro filosófico que muito contribuiu para o crescimento da dialética, mesmo que a tenha negado e se posicionado contra o método, foi Immanuel Kant, considerado, ainda, um dos filósofos mais influentes dos tempos modernos. A posição de Kant traduz algo novo e essencial quando o autor considera contraposições, igualmente probatórias, sobre a existência do universo. O filósofo prova de maneiras distintas a existência e não-existência de um Deus absoluto e universal.

É justamente essa relação de diversidade, antagonismo e contradições, inerentes à dialética, que favorecem o delineamento de tese e antítese e, por essa razão, ela foi escolhida como metodologia para minha pesquisa de mestrado.

Eu procurei oferecer o máximo de realidade possível  à compreensão de um fenômeno. É lógico que toda a opinião construída deve estar sustentada por comprovações para justificar o avanço e o desafio no campo da ciência.  Apesar do ceticismo existente entre muitos pesquisadores, uma vez que o método não apresenta respostas objetivas ao problema estudado, o surgimento da dúvida e a possibilidade de crítica ao conhecimento, já me encheu de plenitude e, certamente,  possibilitou a evolução do conhecimento por meio da construção sintética.  

O próprio sistema de contradições em pessoa!

O próprio sistema de contradições em pessoa!